Venho aqui e vou embora, trazida por uma inspiração soluçada. Leio, trabalho, dirijo, converso e pronto: apareço, escrevo umas linhas. Apareça também, sempre, quando em vez, assim como eu. E seja bem-vindo.

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segunda-feira, janeiro 11, 2010

O Cartão de Crédito ou A Frase-câncer de Otto Lara Resende





[caption id="attachment_316" align="aligncenter" width="300" caption="Por que aqui eu "quebro" a cobra e mostro o pau"][/caption]




Quebrei meu cartão de crédito. Digamos que Nelson Rodrigues ajudou na decisão. Quem leu Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas Ordinária vai entender. A peça teatral fala sobre tentações, sobre as oportunidades que temos de ser bons ou maus e as decisões que tomamos diante delas. Fala ainda de corrupção e de sem-vergonhice, lógico, senão não seria Nelson Rodrigues.


Diversas atitudes dos personagens ao longo de toda a peça são baseadas em uma frase do escritor Otto Lara Resende que diz: “o mineiro só é solidário no câncer”. Edgard, o protagonista, é quem cita a frase, logo no inicio do primeiro ato. Bêbado, procura explicá-la:



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domingo, janeiro 10, 2010

O Amarelo ou Onde Estão As Árvores Da Minha Rua?




[caption id="attachment_303" align="aligncenter" width="225" caption="A única sobrevivente"][/caption]

Está quente. Como nunca esteve. Às duas da tarde desço do ônibus, estou em casa. Da parada avisto uma daquelas ruas típicas dos filmes de faroeste: lojinhas e pequenos prédios apertados sob um sol implacável. Esta é a rua onde moro: um lugar seco e amarelo. Nunca gostei de amarelo e agora então...


A cor da quentura, no entanto, não é um amarelo qualquer. Estes dias, ao descer do ônibus, pensei nisso, fiquei procurando na paleta de cores – ouro, ovo, maple, pele, cheguei, claro, escuro, mostarda. Não é nenhum desses. O amarelo dos dias quentes é doloroso aos olhos, seco e constante, ávido e implacável. Implacável, palavra forte.


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quinta-feira, dezembro 10, 2009

Entrevista com Geraldo Azevedo

Olá a todos!


Trazendo para vocês uma das entrevistas mais chocantes a que já assisti. No início, saudosa, até bobinha, recordações de uma infância no sertão, às margens do São Francisco, mas por volta dos 12min, após cantar "Bicho de 7 Cabeças", Geraldo revela um passado realmente impressionante: de um cidadão duas vezes preso no período da ditadura, na última delas, por engano. O entrevistador, no caso o Jô Soares, torna-se um mero coadjuvante, pois que também ele fica estupefato com os depoimentos de um homem tão manso, mas de uma vida tão sofrida. Mais: um indivíduo de virtude sem igual, capaz de perdoar os que lhe conferiram tantos sofrimentos.


Depois dessa entrevista, a música "Caravana", do Geraldo e do Alceu Valença, terá um outro significado pra você.


O vídeo é um pouco longo, difícil de carregar, mas eu recomendo, não deixem de assistir.


Eu não consegui hospedá-lo, infelizmente, mas é só clicar aqui e ver.


P.S.: À todos da Comunicação Social da UFC, indico este cara para a próxima Revista Entrevista! Vai ser do caramba!

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terça-feira, novembro 24, 2009

Isso é duro, mas confesso: tive vergonha de ser maranguapense

Eu queria estar aqui hoje escrevendo amenidades, cultivando aquelas palavras bonitas que tanto gosto de reproduzir nessa sala de estar, mas do que vivi ontem, boas palavras não poderão ser proferidas.


Ontem pela manhã fui levar minha avó de 92 anos ao médico, pois está gripada. Meu pai precisou tirar o carro para tanto, já que íamos longe. Levamos a um dos nossos "médicos de família", sim por que temos a sorte de ter médicos de família, doutores que, por conta do trabalho do meu pai na antiga FNS e dos problemas auditivos dele, tornaram-se amigos da casa. Dr. Moura, contudo, não está mais em Maranguape. Nenhum deles, na verdade, está mais lá. A não ser um, com clínica particular.


Cedo fomos ao município vizinho, Maracanaú, para encontrá-lo. Em um posto de saúde modesto de um bairro idem, lá estava um médico excelente. A estrutura do local era simples, mas organizada. O principal: funcionava bem. Haviaatendentes, aparelhos de pressão, cadeiras para que ninguém esperasse de pé, salas de consultório com médicos (eles têm uma geriatra! E fazem prevenção aos sábados para as pessoas que trabalham a semana toda), e acreditem, havia uma farmácia, e com remédios. Tudo o que Dr. Moura nos receitou esteve a nossa disposição gratuitamente.


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