Estou devendo esta crônica desde o Natal de Luz, na praça do Ferreira. Preparei-me para isto hoje. A casa está relativamente sozinha e o neon do poste refletido na sala de estar traz de volta a memória amarelada da noite de sexta, a noite em fui espectadora e não protagonista.
Existem dias em que não somos protagonistas, mas espectadores. São aqueles em que tudo ocorre a nossa volta, mas não para nós. O mundo está reluzente, acolhedor, interessante ao modo das mulheres grávidas, mas não para nós somente. Não somos o epicentro. Aquele fora um dia desses.
Às seis da tarde quase noite desembarquei em um Centro de Fortaleza diferente daquele de meses atrás. É novembro e o espírito natalino que nos coça os bolsos mantêm abertas as portas das lojas até que hajam criaturas às ruas. Caminho num Centro acordado, desperto apesar dos postes que tornam a vida urbana amarela e negra. Há outros coloridos, no entanto. Pisca-piscas, bolas, enfeites. É natal no Centro, é natal na praça do Ferreira. Estou indo ao encontro dele, para vê-lo chegar. O natal, contudo, já está comigo.
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