Venho aqui e vou embora, trazida por uma inspiração soluçada. Leio, trabalho, dirijo, converso e pronto: apareço, escrevo umas linhas. Apareça também, sempre, quando em vez, assim como eu. E seja bem-vindo.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Sobre Twitter, Blog e tudo ao mesmo tempo

Trago oito blogs abertos nas abas do Mozilla. Num deles escuto Joe Cocker cantando A Little Help From My Friends. Pretendo passear por pelo menos uns 15 blogs esta noite. Noutra aba, a contradição perpétua: acesso o twitter para fazer minha conta: a internet é mesmo o lar da contradição relevada, é uma terra sem lei e trincheiras por que não há guerra, e também não há paz, há falta de princípios, de motivos para luta ou trégua. Só mantemos um hábito enquanto um melhor não aparece. Um mais novo. Os blogs foram mantidos até o surgimento do twitter, pela lógica. Mas na internet não há lógica:

por que quem tem twitter, tem blogspot, wordpress, flickr, orkut, facebook, fotolog, gmail, yahoo e MSN. E tudo junto ao mesmo tempo e nunca, por que não há obrigação em manter nada. Divertida a sensação de liberdade e inquieta - trágica - também. Já pensou criar pessoas que não mantém? Blogs, orkuts, compromissos, amigos, amores, família, trabalho, estudos, vida: tudo pela metade, ao sabor do vento.


Esses dias eu me perguntei: se você diz que gosta tanto de blogs, por que você os visita e, em geral, não comenta? E me respondi: ora, por que ninguém me perguntou nada! Quantos posts a gente realmente escreve pra que alguém comente... Todos são escritos com a intenção de serem lidos, motivados pela necessidade de botar pra fora os pensamentos. Mas nós realmente queremos uma opinião ou só que alguém leia e vá embora, deixando um número no contador de visitantes? 

E pra não ser só mais um post egoísta, vou fechar com essa: quantos perfis você já fez na net? Quantos você mantém?
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O Morto


Eu vi um homem morto. Foi ontem, era noite. Uma noite laranja e negra das luzes neon.



Estava no ônibus, pendendo entre um livro e uma canção, quando o reparei pela janela. Estava lá, estendido de qualquer jeito. A boca aberta, os olhos cerrados. Era velho, meia idade – ou apenas gasto, tinha as pernas semi dobradas, era moreno e. Parecia vivo. Parecia vivo como a moça adormecida no caixão do último enterro em que fui. Parecia viva. Na verdade, era a mesma mulher de sempre só que não acordava. Viva como a senhora que minha irmã visitou no hospital há dois dias: ontem já não respirava. O que é, no fim das contas, essa coisa que vai embora e, então, morremos? Talvez ele só fosse um bêbado deitado. Só um bêbado adormecido como um bêbado e não como a mulher ou a senhora. E se o for?
Agora é tarde, por que eu já o vi morrer.
Ouvindo: Bright Eyes
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A Nuvem

Esses dias, percebi que temos habitado uma nuvem. Não, isso não é romântico, nem lírico, nem futurista. E não é só mais uma crônica auto-ajuda – ainda que possa terminar assim. É sério e trágico. Moramos numa penumbra de poeira. Não é pó, ralo e passageiro, é poeira densa, insalubre e perene. Antes de ontem, pela manhã, nos buracos da estrada, a nuvem alcançava a borda inferior janela do ônibus, cobria os carros menores e, das pick-ups, deixava ver o teto.
À noite, com a multidão na romaria tensa do regresso para casa, a nuvem cobriu minha janela. Do vidro, identifiquei uns luzeiros: Palios, Gols, Unos, imersos na buraqueira turva. Os potenciais passageiros dos ônibus se arriscavam tateando vacilantes a porta do transporte, enquanto pares de faróis procuravam não encontrar pares de pernas vacilantes. A poeira se estende enquanto perduram os carros.  Não há tempo de decantar. Não que os grãos emersos não tentem. Mas a cada novo carro, nova excitação, de modo que a nuvem gorda se movimenta, inflando e murchando, inflando e murchando, numa cena patética. Patética a nuvem. Patéticos os carros, os ônibus, os caminhões, patéticos os seus motoristas que furam as estradas e erguem a poeira que – por Deus! – só quer decantar. Patéticos os fazedores de estradas que as fazem para ser poeira e não estrada. Andei pensando se não somos tal qual essa poeira vulnerável, que se excita trêmula a cada coisa que passa. Não dá tempo de decantar. Juntos, os motoristas, passageiros e fazedores de estradas formam também, a seu modo – a nosso modo – uma grande e débil nuvem gordurosa de pessoas na correria dos seus dias atarefadíssimos, ocupadíssimos, atrasadíssimos. Não há tempo para perceber o vento, o céu azul, a grama ou qualquer dessas coisas ordinárias que se reparam quando estamos quietos. Só há espaço para estar na confusão dos carros, formando essa maldita penumbra que resseca meus olhos recém-operados. Meu colírio acabou essa semana. Não sei como conseguir enxergar decentemente. Leio um João do Rio desfocado no ônibus enquanto penso. O que será ou serão o(s) colírio(s) da rotina, que lavaria(m) nossos olhos turvos do vício de não ter tempo.
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Mais um começo

Estive arrumando a bagunça, reorganizando esta casa pra que pudesse receber crônica e ilustração, o que tenho feito ultimamente. Aqui vou depositar uns trabalhos e rascunhos, uns rabiscos e pensamentos. 
 
Bem vindos aí os que acompanharem.

Nos Vemos.
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